terça-feira, outubro 24, 2006
“O que é normal?”
Admitamos, ver a polícia montando bloqueios, viaturas e mais viaturas na rua, veículos sendo parados à procura de informações suspeitas; o que é “normal” hoje em dia? Aos nossos olhos, tudo isso é no mínimo “diferente”. Mas espere um pouco! A polícia cumprir seu papel não deveria ser algo normal?! Tem de ser assim! Ou não? Se repararmos bem, com o passar dos anos, nossas avaliações se tornam cada vez mais maleáveis. Falas engessadas sobre o “aumento da criminalidade” e a “falta de verbas para a melhoria dos serviços prestados pela polícia”, - sempre na tentativa de justificar todo um sistema desmotivado e sem condições de trabalho - há muito, fazem parte de nosso cotidiano.
Nessa confusão do dia-a-dia, normal mesmo é pagar o seguro do carro. Não simplesmente pela proteção ou comodidade que ele nos traz; mas principalmente, pelo fato de sermos indenizados em caso de roubo. Quem nunca pensou com atenção nessa hipótese antes de assinar o contrato?
“E você, já instalou um alarme no seu carro? Como não? Meu amigo, não saia na rua sem “mais” essa proteção!”
E ainda tem gente que se sente discriminada por “infelizmente”, não ter a cobertura do “maior e melhor bloqueador via satélite do planeta!”. É, atualmente o “normal” tem sido gastar para se proteger. Sem falar de nossa casa, que há muito não é mais nosso porto seguro. Não é exagero dizer que ela se tornou uma prisão; até a cerca elétrica já está na lista dos itens mais importantes para a família.
Nesse momento, nos questionemos de uma vez: O “normal” é fazer algo que nos inclua nessa sociedade cheia de desigualdade e disputa? Talvez, “normal” sejam os absurdos diários de Brasília; os votos comprados, as faltas nas sessões, a má distribuição de salários ou os interesses próprios que param o país, impedindo que votações importantes sejam realizadas. “Normal”, deve ser dar ouvido a uma mídia que por inúmeras vezes noticia com irresponsabilidade, e toma, freqüentemente, partido para o lado que lhe convém. A essa altura, talvez seja “normal” não ouvir quem está do nosso lado, viver sem questionar, aceitar simplesmente, vitimizar-se ante aos fatos, fechar os olhos do coração e definitivamente não seguir suas aspirações.
“Já não sei sou capaz de diferenciar o ‘absurdo’, do ‘normal’.”
Pensando bem, deve ser “normal” estacionar espaçosamente numa avenida do centro, - “só para ganhar uns minutos, sabe como é...” - bem no fim da tarde sem dar a mínima à fila de carros que cresce na retaguarda; o medo de voltar para casa quando já passaram das 23h; aquela sensação de pressa que temos ao entrar no caixa eletrônico. É, o medo, passou a fazer parte de nossa “normalidade”.
É hora de pensarmos nos limites que estabelecemos. A partir de reflexões como essa, busquemos para nós mesmos o real sentido de nossas escolhas. Que a ação impensada, nos incomode de forma que seja impossível continuar sendo conivente. Façamos que a chave de nosso crescimento, seja o bom relacionamento entre as pessoas, valorizando o que há por trás do profissional que nos atende, nos mais diferentes locais. Que essa convivência, pacífica e de mútuo aprendizado, contribua - mesmo que indiretamente - para a formação de cidadãos com valores éticos e morais, formando ciclos de comprometimento, honestidade e responsabilidade, em todos os setores.
Desse modo, o advogado não fará mal uso de seus conhecimentos; o policial rodoviário, por sua vez, não aceitará suborno ao cumprir com as normas de sua responsabilidade; o contador, não se sujeitará a forjar balancetes em seu benefício ou de outrem e o deputado, também não verá motivos para vender seu voto. Muitos são os exemplos a serem citados, e neles, percebemos que para sua construção verdadeira, é necessário esforço e empenho de cada um dos cidadãos pertencentes a nossa sociedade.
Nessa vontade de viver em um mundo melhor e mais justo, estejamos verdadeiramente atentos. Que a individualidade seja respeitada; - “que eu não seja apenas mais um número” - proporcionando condições para que cada ser quebre suas próprias barreiras, nessa soma de experiências e descobertas que fazem de nossa vida, o mais incrível dos desafios.
nor.mal adj 2g 1. Que serve de norma 2. Comum
nor.ma sf 1. Regra que se deve seguir. 2. Modelo, padrão
Davidson Gogora
22/07/2006
Nessa confusão do dia-a-dia, normal mesmo é pagar o seguro do carro. Não simplesmente pela proteção ou comodidade que ele nos traz; mas principalmente, pelo fato de sermos indenizados em caso de roubo. Quem nunca pensou com atenção nessa hipótese antes de assinar o contrato?
“E você, já instalou um alarme no seu carro? Como não? Meu amigo, não saia na rua sem “mais” essa proteção!”
E ainda tem gente que se sente discriminada por “infelizmente”, não ter a cobertura do “maior e melhor bloqueador via satélite do planeta!”. É, atualmente o “normal” tem sido gastar para se proteger. Sem falar de nossa casa, que há muito não é mais nosso porto seguro. Não é exagero dizer que ela se tornou uma prisão; até a cerca elétrica já está na lista dos itens mais importantes para a família.
Nesse momento, nos questionemos de uma vez: O “normal” é fazer algo que nos inclua nessa sociedade cheia de desigualdade e disputa? Talvez, “normal” sejam os absurdos diários de Brasília; os votos comprados, as faltas nas sessões, a má distribuição de salários ou os interesses próprios que param o país, impedindo que votações importantes sejam realizadas. “Normal”, deve ser dar ouvido a uma mídia que por inúmeras vezes noticia com irresponsabilidade, e toma, freqüentemente, partido para o lado que lhe convém. A essa altura, talvez seja “normal” não ouvir quem está do nosso lado, viver sem questionar, aceitar simplesmente, vitimizar-se ante aos fatos, fechar os olhos do coração e definitivamente não seguir suas aspirações.
“Já não sei sou capaz de diferenciar o ‘absurdo’, do ‘normal’.”
Pensando bem, deve ser “normal” estacionar espaçosamente numa avenida do centro, - “só para ganhar uns minutos, sabe como é...” - bem no fim da tarde sem dar a mínima à fila de carros que cresce na retaguarda; o medo de voltar para casa quando já passaram das 23h; aquela sensação de pressa que temos ao entrar no caixa eletrônico. É, o medo, passou a fazer parte de nossa “normalidade”.
É hora de pensarmos nos limites que estabelecemos. A partir de reflexões como essa, busquemos para nós mesmos o real sentido de nossas escolhas. Que a ação impensada, nos incomode de forma que seja impossível continuar sendo conivente. Façamos que a chave de nosso crescimento, seja o bom relacionamento entre as pessoas, valorizando o que há por trás do profissional que nos atende, nos mais diferentes locais. Que essa convivência, pacífica e de mútuo aprendizado, contribua - mesmo que indiretamente - para a formação de cidadãos com valores éticos e morais, formando ciclos de comprometimento, honestidade e responsabilidade, em todos os setores.
Desse modo, o advogado não fará mal uso de seus conhecimentos; o policial rodoviário, por sua vez, não aceitará suborno ao cumprir com as normas de sua responsabilidade; o contador, não se sujeitará a forjar balancetes em seu benefício ou de outrem e o deputado, também não verá motivos para vender seu voto. Muitos são os exemplos a serem citados, e neles, percebemos que para sua construção verdadeira, é necessário esforço e empenho de cada um dos cidadãos pertencentes a nossa sociedade.
Nessa vontade de viver em um mundo melhor e mais justo, estejamos verdadeiramente atentos. Que a individualidade seja respeitada; - “que eu não seja apenas mais um número” - proporcionando condições para que cada ser quebre suas próprias barreiras, nessa soma de experiências e descobertas que fazem de nossa vida, o mais incrível dos desafios.
nor.mal adj 2g 1. Que serve de norma 2. Comum
nor.ma sf 1. Regra que se deve seguir. 2. Modelo, padrão
Davidson Gogora
22/07/2006
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Em relação a questão do normal...
Uma vez li um texto que gostei muito, que dizia algo mais ou menos assim:
“Lá estava eu passeando pela orla da praia, quando vi uma mãe com o seu filho no carrinho, e de repente o sapatinho (bem pequeno) havia caído do pezinho do bebê, logo pensei em correr para ajuda-la...afinal o bebe era muito pequeno não podia ficar com o pezinho ao vento, mas antes da minha ida logo apareceu um senhor e mais uma moça para ajudar a mão do bebê que havia perdido o sapatinho. Fiquei feliz com tanta solidariedade, em um País que alguns “do contra” insistem em falar que o povo não sabe votar, que o brasileiro esta preocupado só com o próprio umbigo. Continuei andando no meu caminho e a mãe e o seu bebê agora com o sapatinho novamente no pé foram se afastando, o senhor e a moça dos quais eu havia ficado tão orgulhoso também foram caminhando na direção oposta a minha, quando eu parei e olhei em volta do caminho que eles estavam fazendo.... percebi que ali do lado onde havia caído o “tal” sapatinho estavam duas crianças descalças, moradores de rua... E NINGUÉM, nem mesmo eu parei para “pegar o sapatinho dessas crianças”.... talvez porque ESSA IMAGEM já faz parte da paisagem e pra mim, como para tantas outras pessoas.... a cena ficou NORMAL.... !!!!... pq o bebê no carrinho, com meinha e sem sapatinho me incomoda mais do qeu as crianças descalças sem teto e sem pão!!!...
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Uma vez li um texto que gostei muito, que dizia algo mais ou menos assim:
“Lá estava eu passeando pela orla da praia, quando vi uma mãe com o seu filho no carrinho, e de repente o sapatinho (bem pequeno) havia caído do pezinho do bebê, logo pensei em correr para ajuda-la...afinal o bebe era muito pequeno não podia ficar com o pezinho ao vento, mas antes da minha ida logo apareceu um senhor e mais uma moça para ajudar a mão do bebê que havia perdido o sapatinho. Fiquei feliz com tanta solidariedade, em um País que alguns “do contra” insistem em falar que o povo não sabe votar, que o brasileiro esta preocupado só com o próprio umbigo. Continuei andando no meu caminho e a mãe e o seu bebê agora com o sapatinho novamente no pé foram se afastando, o senhor e a moça dos quais eu havia ficado tão orgulhoso também foram caminhando na direção oposta a minha, quando eu parei e olhei em volta do caminho que eles estavam fazendo.... percebi que ali do lado onde havia caído o “tal” sapatinho estavam duas crianças descalças, moradores de rua... E NINGUÉM, nem mesmo eu parei para “pegar o sapatinho dessas crianças”.... talvez porque ESSA IMAGEM já faz parte da paisagem e pra mim, como para tantas outras pessoas.... a cena ficou NORMAL.... !!!!... pq o bebê no carrinho, com meinha e sem sapatinho me incomoda mais do qeu as crianças descalças sem teto e sem pão!!!...
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